O Buda praticou ascetismo durante seis anos,alimentando-se de apenas um grão de gergelim e um grão de trigo por dia. Algumas pessoas acham que “um grão de gergelim e um grão de trigo” é apenas uma metáfora para dizer que ele comia pouco, pois não conseguem compreender como isso seria possível. No entanto, praticantes espirituais podem, sim, abrir mão até mesmo desses mínimos alimentos. Houve um monge do budismo que se retirou em reclusão por nove anos: nos três primeiros, alimentava-se apenas de um grão de gergelim e um grão de trigo por dia; nos três anos seguintes, tomava apenas um pouco de água; e, nos últimos três anos, não comia nem bebia absolutamente nada.
Nós, praticantes, precisamos cultivar a atenção plena todos os dias. Se não conseguimos mantê-la, acabamos sendo arrastados pelas aflições mentais. E justamente nesses momentos, mais do que nunca, devemos nos apressar em retomar a atenção plena. Precisamos aprender a valorizar cada dia, pois só assim geramos um valor imensurável. Do contrário, apenas deixamos os dias passarem, consumindo tempo sem sentido.
Por isso, quero compartilhar uma reflexão: o tempo é realmente igual para todos? Cada pessoa extrai o mesmo valor do tempo que tem? A luz do Buda brilha para todos, mas será que todos a recebem da mesma forma? A atitude que cada um tem diante do Buda determina os frutos que colhe. Aqueles que amam e reverenciam o Buda, que se dedicam à prática, alcançam mérito e virtude. Por outro lado, quem calunia, destrói ou tenta manchar a imagem do Buda no coração das pessoas, acaba transformando essa luz em causa de sua própria queda.
Cada pessoa encara o tempo de maneira diferente. Para alguns, um instante é mais precioso que ouro, e um único dia pode gerar um valor infinito. Para outros, o dia passa sem sentido algum, ou até se torna negativo. O mesmo vale para o corpo humano: ele é precioso por si só? mas só quando fazemos o bem é que o corpo humano revela seu valor. Se escolhemos praticar o mal, o que há de precioso nisso? Que valor tem uma vida que resulta em renascimento no inferno? Em contrapartida, se cultivarmos virtudes que nos levem ao paraíso, ou mesmo até à libertação de renascer na Terra Pura de um Buda, aí, sim, o nosso corpo humano se torna verdadeiramente precioso.
Por isso, é essencial cuidar bem da nossa mente, protegê-la e amá-la com zelo. Somente quando a mantemos pura, seguindo o caminho correto e em conformidade com o Dharma, é que ela revela seu verdadeiro valor.